"As sofridas amoras
dos valados
os fogosos espinhos
que coroam os cardos
Saltam ao caminho
a sangrar-me a veia
do poema. "
De Luiza Neto, em A Lume
quarta-feira, abril 13, 2005
"Abre esse livro, lê outra vez o poema
que tantas vezes leste:
como tu, não é o que foi ontem,
o que perdeste há meses.
A letra que gravou a pulsação
que sustenta essa página
pede que a humanes e ressurjas
com teu sangue a palavra."
José Bento, em Alguns Motetos
De
AL
à(s)
2:12 da tarde
|
Labels: Poems
quinta-feira, janeiro 27, 2005
O terrorista, ele observa
"A bomba explodirá no bar às treze e vinte.
Agora são apenas treze e dezesseis.
Alguns terão ainda tempo para entrar;
alguns, para sair.
O terrorista já está do outro lado da rua.
A distância o protege de qualquer perigo.
E, bom, é como assistir a um filme.
Uma mulher de casaco amarelo, ela entra.
Um homem de óculos escuros, ele sai.
Jovens de jeans, eles conversam
Treze e dezessete e quatro segundos.
Aquele mais baixo, ele se salvou, sai de lambreta.
E aquele mais alto, ele entra.
Treze e dezessete e quarenta segundos.
A moça ali, ela tem uma fita verde no cabelo.
Mas o ônibus a encobre de repente.
Treze e dezoito.
A moça sumiu.
Era tola o bastante para entrar, ou não?
Saberemos quando retirarem os corpos.
Treze e dezenove.
Ninguém mais parece entrar.
Um careca obeso, no entanto, está saindo.
Procura algo nos bolsos e
às treze e dezenove e cinqüenta segundos
ele volta para pegar suas malditas luvas.
São treze e vinte.
O tempo, como se arrasta.
É agora.
Ainda não.
Sim, agora.
A bomba,
ela explode."
De: Wislawa Azymborska
[traduzido por Nelson Ascher a partir da versão inglesa
de Adam Czerniawski
e da norte-americana de Magnus J. Krynski e
Robert A. Maguire]
De
AL
à(s)
2:47 da tarde
|
Labels: Poems
sexta-feira, janeiro 14, 2005
O Percurso Diário
"Eu vou por este sol além
e ele é quotidiano até ao fim
como se até hoje ninguém
tivesse no sol e fora do sol também
morrido a morte por mim"
De: Ruy Belo em Todos os poemas (A Cidade)
De
AL
à(s)
1:48 da manhã
|
Labels: Poems
quarta-feira, dezembro 29, 2004
Carpe Diem
"O mistress mine, where are you roaming?
O stay and hear! your true-love's coming
That can sing both high and low;
Trip no further, pretty sweeting,
Journey's end in lovers' meeting--
Every wise man's son doth know.
What is love? 'tis not hereafter;
Present mirth hath present laughter;
What's to come is still unsure:
In delay there lies no plenty,--
Then come kiss me, Sweet and twenty,
Youth's a stuff will not endure. "
De: William Shakespeare
De
AL
à(s)
3:15 da tarde
|
Labels: Poems
segunda-feira, dezembro 27, 2004
"Entre áspide e flor
entre ser e não sermos
Presentes e passadas
penas
prenunciam
vosso abismovossas paixõesvossas estranhas finezas
como quem esperaà nossa derrota
De: Ana Hatherly (1929)fera"
De
AL
à(s)
9:57 da tarde
|
Labels: Poems
sexta-feira, dezembro 24, 2004
H.D. (Hilda Doolittle) - EURÍDICE
"I
Lançaste-me então para trás,
eu que poderia ter caminhado com as almas vivas
sobre a terra,
eu que poderia ter dormido entre flores vivas
por fim;
então pela tua arrogância
pela tua truculência
fui lançada para trás
para onde o líquen morto escorre
escórias mortas sobre musgo de cinza;
então pela tua arrogância
estou por fim despedaçada,
eu que vivi inconsciente,
que fui quase esquecida;
se me tivesses deixado esperar
teria crescido da indiferença
para a paz,
se me tivesses deixado repousar com os mortos,
ter-me-ia esquecido de ti
e do passado."
Fim do Tormento, H.D., seguido de O Livro de Hilda
(tradução de Filipe Jarro)
Que poderia dizer, simplesmente lindo...
(*05/07/2007 - Correcção feita ao nome do autor do poema, não é da autoria de Ezra Pound como referi anteriormente mas sim de HD. Agradecimentos a Filipe Jarro que detectou o meu erro e possibilitou a sua correcção.)
De
AL
à(s)
1:11 da manhã
|
Labels: Poems
domingo, novembro 14, 2004
"Sou a água do riacho"
"Sou a água do riacho
Que desliza e canta nas pedras.
A folha que dança
Na suave brisa outonal,
Ou pássaro que plana
Na corrente quente do ar.
Atravesso a vida
Como o barco as tempestades.
Sou como a areia do deserto,
Ondulando de duna em duna.
Há um oásis na minha vida
De quando em quando
E por curtos momentos repouso…"
Em Resist(ir) Assim, Poesia a doze
Poema de Maria Martins
De
AL
à(s)
11:18 da tarde
|
Labels: Poems
