segunda-feira, fevereiro 21, 2005

terça-feira, fevereiro 15, 2005

Emoções

Emoções que se entrelaçam no coração.
Emoções numa dicotomia que toca os extremos do bem e do mal.
Que levam a pensamentos extremos;
Que geram um turbilhão de pensamentos.
Que fazem chocar as palavras que teimam em não sair.
Palavras perdidas;
Palavras feias;
Palavras que abrirão feridas;
Palavras que mereciam ser ouvidas.
Mas no fundo palavras reprimidas;
Talvez por respeito por uma "certa amizade"
Talvez, talvez, talvez... um dia as diga.

sexta-feira, fevereiro 11, 2005

Influências...

"Qual a influência oculta que actua através da imprensa, por detrás de todos os movimentos subversivos que nos cercam? Há diversos poderes de acção? Ou há um único Poder, um grupo que dirige todos os outros, o círculo dos Verdadeiros Iniciados?"

N. Webster, Secret Societies and Subversive Movements, p.348

quarta-feira, fevereiro 09, 2005

A lista

"A lista n.º 5, seis camisolas interiores, seis cuecas e seis lenços, sempre enigmou os estudiosos, principalmente pela total ausência de peúgas."

De: Woody Allen, em Getting even, New York Random House 1966, ed. port.: Para Acabar de Vez com a Cultura, Lisboa, Bertrand, 1980, p. 12.

quinta-feira, janeiro 27, 2005

O terrorista, ele observa

"A bomba explodirá no bar às treze e vinte.
Agora são apenas treze e dezesseis.
Alguns terão ainda tempo para entrar;
alguns, para sair.
O terrorista já está do outro lado da rua.
A distância o protege de qualquer perigo.
E, bom, é como assistir a um filme.
Uma mulher de casaco amarelo, ela entra.
Um homem de óculos escuros, ele sai.
Jovens de jeans, eles conversam
Treze e dezessete e quatro segundos.
Aquele mais baixo, ele se salvou, sai de lambreta.
E aquele mais alto, ele entra.
Treze e dezessete e quarenta segundos.
A moça ali, ela tem uma fita verde no cabelo.
Mas o ônibus a encobre de repente.
Treze e dezoito.
A moça sumiu.
Era tola o bastante para entrar, ou não?
Saberemos quando retirarem os corpos.
Treze e dezenove.
Ninguém mais parece entrar.
Um careca obeso, no entanto, está saindo.
Procura algo nos bolsos e
às treze e dezenove e cinqüenta segundos
ele volta para pegar suas malditas luvas.
São treze e vinte.
O tempo, como se arrasta.
É agora.
Ainda não.
Sim, agora.
A bomba,
ela explode."

De: Wislawa Azymborska

[traduzido por Nelson Ascher a partir da versão inglesa
de Adam Czerniawski
e da norte-americana de Magnus J. Krynski e
Robert A. Maguire]

terça-feira, janeiro 25, 2005


O Pêndulo de Foucault Posted by Hello

Destaque: O Pêndulo de Foucault - Umberto Eco

Este livro de Umberto Eco surgiu no seguimento editorial do “O Nome da Rosa”. Tive o prazer de adquirir o "O Pêndulo de Foucault" em 1991, após a leitura do livro que referi, mas essa vez foi diferente das outras, comecei a lê-lo por quatro vezes e só na quinta é que o finalizei, coisa que nunca me tinha sucedido antes. Agora vi-o em destaque numa das livrarias que frequento e na minha singela opinião é uma mais valia para a literatura.
Há quem diga que "O Pêndulo de Foucault" é um livro monótono e entediante, eu considero que não. É um livro especial e que requer particular interesse.
A meu ver supera, em muito, o "O Nome da Rosa". Num sentido de encontrar uma congruência racional da universalidade e denunciar os irracionalismos coetâneos, Umberto Eco intenta uma intencional mistificação da história secreta dos Templários, em todo um enredo que gira em torno do esoterismo e das sociedades secretas.
Esta obra contém algo de eterno, um mesclado de literatura com o estudo do comportamento humano, com passagens por Itália, Portugal, França - um começo que retorna si mesmo em Paris e que no titânico Pêndulo de Léon Foucault e no seu perpétuo movimento percorre a melancolia do saber absoluto.

E tudo começa assim:

"Foi então que vi o Pêndulo.
A esfera, móvel na extremidade de um longo fio fixado na abóbada do coro, descrevi as suas amplas oscilações com isócrona majestade…"

quinta-feira, janeiro 20, 2005

O croquete do dia

O Shrek só comeu um croquete ao almoço. Será dieta? ou apenas contenção de despesas?
Já imaginaram o Shrek sem aquela bela barriguinha?
Nãoooooooooooo.....
Após um bombardeamento de perguntas só se ouviu...Muuuuuuuu.....
Grita o Manteiguinhas lá do canto:
- Põe o som da selva.
O Alguém perguntou:
- Mas do que é que estão a falar?
E o "bixouzinho" amuou:
- Não me deixam perguntar nada.
Está bem, está bem, retorquiu o Shrek, continua lá.
Mas afinal, ele só queria umas festinhas da sua carochinha.
Quanto a mim, só tive direito a um:
- Cala-te e bebe o chá.

(Uma brincadeirinha, com muito carinho para os meus amigos.)

quarta-feira, janeiro 19, 2005

Desespero

De repente senti-me perdida.
Perdida nas palavras que chocavam entre si,
que íam e vinham a uma velocidade estonteante.
E ele não parava.
Tal qual uma fonte em que a água não se esgota.
E o comboio continuava, as letras descarrilavam...
Perdi o norte por completo.
Onde estava uma bússola?
Só queria sair dali...
Já não podia mais.
E uma voz soou-me no ouvido:
-Tem calma.

(E fiquei. Felizmente sei que o N("bixo" carnivoro :D)
vai resolver tudo no sábado.)

terça-feira, janeiro 18, 2005

Novo projecto - ATULEIRUS

O esboço surgiu numa pequena incursão noctívaga, com saborosíssimas “tapas” pelo meio e como não poderia deixar de ser, muito bem regadas. Tudo isto, num ambiente que poderia lembrar a famigerada época das tertúlias portuguesas e da boémia do não menos famoso Bocage e seus amigos.
Vi este traçado surgir como uma nova aposta, assente na verdade e criado, não por um grupo mas, por um círculo de amigos que se regem por relações de amizade e respeito pelas diversas diferenças inerentes a cada um.
E agora este projecto, cujo nome foi condignamente dado de Atuleirus, tomou a sua forma no Weblog.

Viagens de METRO

Devido ao factor tempo passei a utilizar o metro como meio de transporte, desligando-me da condução diária, que nos nossos dias se tornou quase absurda, nesta selva em que as avenidas de Lisboa se tornaram.
Estas pequenas jornadas foram, aos poucos e poucos, enchendo-se de monotonia.
Dia após dia, somente consigo vislumbrar tristes olhares, rostos perdidos, pensamentos insondáveis e apesar de fragmentos de sorrisos cúmplices nem um semblante de verdadeira felicidade, nem uma sombra de júbilo.
Apenas meras presenças, meros corpos, almas díspares. Numa multiplicidade de diferenças num mesmo local.
Seremos nós, povo, mesmo assim?
Estaremos mesmo destinados a uma vida de triste fado?

sexta-feira, janeiro 14, 2005

O Percurso Diário

"Eu vou por este sol além
e ele é quotidiano até ao fim
como se até hoje ninguém
tivesse no sol e fora do sol também
morrido a morte por mim"

De: Ruy Belo em Todos os poemas (A Cidade)

quarta-feira, janeiro 12, 2005

Amigos

Obrigado, a TODOS...
Adorei a surpresa.
Tanto dos que estavam presentes como daqueles que me telefonaram.
Nunca festejo o meu aniversário e desta vez deixaram-me sem palavras, amei. E fui bem "apanhada", no sentido positivo, é claro.

sexta-feira, janeiro 07, 2005


Pintura de Jorge Eiro Posted by Hello

Abstrair

Por vezes o facto de alguém se abstrair da presença de outrém vale mais que muitas palavras.

quinta-feira, janeiro 06, 2005

Aparências

"Os Homens julgam, em geral, na base das aparências mais do que da substância. Pois todos têm olhos, mas poucos possuem o dom da sagacidade."

De: Nicolau Maquiavel

terça-feira, janeiro 04, 2005

A Praia (3)

A Praia - Verão 92

Manhã... ouvia-se o som das ondas a rebentarem... saímos... andámos pelo estreito caminho que ía dar à praia... ondas do mar, rochas, o sol a aparecer por entre a neblina. Era assim que todas as manhãs deviam ser...
Depois, corremos para o mar. Estava gelado, mas mesmo assim soube-nos bem. Não me consigo lembrar da última vez que me senti tão acordada. Logo a seguir corremos outra vez, mas para as toalhas para nos secarmos. Decidimos passear; o vento marítimo estava fresco mas não frio, o céu ficou mais limpo que o costume e as praias por onde passávamos estavam estranhamente desertas. Noutros dias, por aquela altura, já estariam alagadas de gente.
Sentámo-nos... começou-se a ouvir as ondas do mar a rebentar a alguns metros abaixo de nós. Por vezes ouvia as ondas - era uma sensação óptima e sempre pensava a mesma coisa que pensava sempre que me sentia assim: devia fazer aquilo mais vezes. Mas lembrava-me que aquela poderia ser a última e ainda me sabia melhor... continuei a olhar a rebentação...
Almoço... sim, a fome tinha chegado... levantámo-nos e decidimos ir almoçar numa daquelas esplanadas da praia, construídas para que as pessoas possam sair da praia e admirar a paisagem enquanto comem. Existia uma variante, aquelas esplanadas onde paravam os surfs a ouvir sting e a comer cachorros quentes ou hambúrgueres, ao mesmo tempo que bebiam uma cola.
Voltámos em direcção ao ponto de partida... andávamos na passadeira da praia, desta vez, já por entre a multidão - por aqui - disse-me ela dirigindo-se a uma das esplanadas da praia. Eu voltei-me, por momentos, para observar o tipo de pessoas que passeavam na passadeira. Quando voltei a olhar para a minha amiga... ali estava ela, a chatear-se de morte com um surfista...
Enquanto comia o meu hambúrguer olhava para o sol, para o mar, ouvia a música... claro, a esplanada tinha música... e observava as ondas a rebentarem nas rochas.
...nada era mais perfeito...
Tarde...os cabelos voavam suavemente com a brisa marítima, o sol descrevia o ângulo perfeito das três da tarde que se reflectia no rebentar das ondas. Passeámos ao longo da praia e durante bastante tempo nenhuma de nós disse nada. Viam-se somente as ondas, a fazerem barulho de ondas.
O sol já se tinha posto, e as ondas do lusco-fusco vinham pequenas e em série. Ficámos à espera da onda certa...
Estáva frio, e voltámos para casa...
Noite... decidimos ir até à vila beber qualquer coisa... tomámos o caminho da praia... o ar da meia noite estáva fresco e o céu estáva limpo... olhei para o mar e para uma lua perfeitamente cheia, enquanto os meus ouvidos se enchiam com o ritmo das ondas. Tentei concentrar-me no mar. O maior corpo de água do mundo inteiro, ao mesmo tempo beleza e terror... juntos. Limitei-me a ver o luar... as ondas rebentavam a uns dois metros atrás de nós... a maré estava cheia... lua... oceano...
E ao longe os nossos amigos já assinalavam a sua presença na esplanada do bar... acenando.


Fidji Posted by Hello