sexta-feira, janeiro 14, 2005

O Percurso Diário

"Eu vou por este sol além
e ele é quotidiano até ao fim
como se até hoje ninguém
tivesse no sol e fora do sol também
morrido a morte por mim"

De: Ruy Belo em Todos os poemas (A Cidade)

quarta-feira, janeiro 12, 2005

Amigos

Obrigado, a TODOS...
Adorei a surpresa.
Tanto dos que estavam presentes como daqueles que me telefonaram.
Nunca festejo o meu aniversário e desta vez deixaram-me sem palavras, amei. E fui bem "apanhada", no sentido positivo, é claro.

sexta-feira, janeiro 07, 2005


Pintura de Jorge Eiro Posted by Hello

Abstrair

Por vezes o facto de alguém se abstrair da presença de outrém vale mais que muitas palavras.

quinta-feira, janeiro 06, 2005

Aparências

"Os Homens julgam, em geral, na base das aparências mais do que da substância. Pois todos têm olhos, mas poucos possuem o dom da sagacidade."

De: Nicolau Maquiavel

quarta-feira, janeiro 05, 2005

terça-feira, janeiro 04, 2005

A Praia (3)

A Praia - Verão 92

Manhã... ouvia-se o som das ondas a rebentarem... saímos... andámos pelo estreito caminho que ía dar à praia... ondas do mar, rochas, o sol a aparecer por entre a neblina. Era assim que todas as manhãs deviam ser...
Depois, corremos para o mar. Estava gelado, mas mesmo assim soube-nos bem. Não me consigo lembrar da última vez que me senti tão acordada. Logo a seguir corremos outra vez, mas para as toalhas para nos secarmos. Decidimos passear; o vento marítimo estava fresco mas não frio, o céu ficou mais limpo que o costume e as praias por onde passávamos estavam estranhamente desertas. Noutros dias, por aquela altura, já estariam alagadas de gente.
Sentámo-nos... começou-se a ouvir as ondas do mar a rebentar a alguns metros abaixo de nós. Por vezes ouvia as ondas - era uma sensação óptima e sempre pensava a mesma coisa que pensava sempre que me sentia assim: devia fazer aquilo mais vezes. Mas lembrava-me que aquela poderia ser a última e ainda me sabia melhor... continuei a olhar a rebentação...
Almoço... sim, a fome tinha chegado... levantámo-nos e decidimos ir almoçar numa daquelas esplanadas da praia, construídas para que as pessoas possam sair da praia e admirar a paisagem enquanto comem. Existia uma variante, aquelas esplanadas onde paravam os surfs a ouvir sting e a comer cachorros quentes ou hambúrgueres, ao mesmo tempo que bebiam uma cola.
Voltámos em direcção ao ponto de partida... andávamos na passadeira da praia, desta vez, já por entre a multidão - por aqui - disse-me ela dirigindo-se a uma das esplanadas da praia. Eu voltei-me, por momentos, para observar o tipo de pessoas que passeavam na passadeira. Quando voltei a olhar para a minha amiga... ali estava ela, a chatear-se de morte com um surfista...
Enquanto comia o meu hambúrguer olhava para o sol, para o mar, ouvia a música... claro, a esplanada tinha música... e observava as ondas a rebentarem nas rochas.
...nada era mais perfeito...
Tarde...os cabelos voavam suavemente com a brisa marítima, o sol descrevia o ângulo perfeito das três da tarde que se reflectia no rebentar das ondas. Passeámos ao longo da praia e durante bastante tempo nenhuma de nós disse nada. Viam-se somente as ondas, a fazerem barulho de ondas.
O sol já se tinha posto, e as ondas do lusco-fusco vinham pequenas e em série. Ficámos à espera da onda certa...
Estáva frio, e voltámos para casa...
Noite... decidimos ir até à vila beber qualquer coisa... tomámos o caminho da praia... o ar da meia noite estáva fresco e o céu estáva limpo... olhei para o mar e para uma lua perfeitamente cheia, enquanto os meus ouvidos se enchiam com o ritmo das ondas. Tentei concentrar-me no mar. O maior corpo de água do mundo inteiro, ao mesmo tempo beleza e terror... juntos. Limitei-me a ver o luar... as ondas rebentavam a uns dois metros atrás de nós... a maré estava cheia... lua... oceano...
E ao longe os nossos amigos já assinalavam a sua presença na esplanada do bar... acenando.


Fidji Posted by Hello

segunda-feira, janeiro 03, 2005

Republicação

Vou aqui republicar um dos posts que me deu imensa satisfação fazer, aquando da minha participação em outro blog:

Cristianismo

As ciências, que quase estagnaram na Antiguidade receberam do Cristianismo um impulso acelarador que apressou a derrocada do velho mundo.
O Cristianismo tornou-se sentimento ao associar-se aos movimentos da alma, luz ao misturar-se com as faculdades intelectuais e onde este se apagou, a servidão e a ignorância reapareceram. Quase se poderá dizer que a temível definição da escravatura que foi apagada do código romano: "Non tam viles quam multi sunt" voltou a resurgir, de diferentes formas, em várias sociedades que o rejeitaram.
Ele que começou por renovar a face do mundo, que desfavoreceu a opressão e que fez com que a escravidão deixasse de ser o direito comum das nações, vê agora transformarem-se as sociedades a que deu vida. Sociedades estas que nos servem como grelhas de leitura para a compreensão da história e das suas convulsões.
O Cristianismo devendo ser um vector orientado para uma realização final e tentando situar a marcha da humanidade, numa dinâmica ascencional em ordem à perfectabilidade, depara-se agora com a expectativa de grandes mutações previstas pelos movimentos revolucionários existentes.
A obnubilação nos espíritos da noção de "Cristianismo" leva a que o progresso, que deveria ser um avanço para melhor, uma representação de um tempo criador e de uma temporalidade não cíclica se transforme, agora, numa regressão à negação da liberdade. Então em que base sólida poderemos assentar os direitos humanos? Se não nos consideramos nem bons nem maus, inteligentes ou estúpidos, a única resposta possível é a de que o Homem é um sujeito dotado de dignidade própria, cuja vida tem um sentido.
Sentido esse que lhe foi dado pela evolução biológica, que se transcendeu a si própria fornecendo a seres conscientes de si próprios a base material dessa evolução - o cérebro humano.
A nossa verdadeira natureza consiste, assim, em procurarmos a esperança e sentido no optimismo, desde que rodeado de lucidez.
A Humanidade inteira tem uma vocação, e cada um de nós é chamado a um destino, é esse o âmbito do Cristianismo e a convicção de todos quantos acreditam que a evolução tem um sentido e que a história humana não é um absurdo nem um ciclo monótono de repetições.

quinta-feira, dezembro 30, 2004

Fim e Começo...

Mais um ano que está acabando e outro começando.
Mais um final e um novo começo.

Não poderei dizer que é uma altura de felicidade para todos, pois, e infelizmente, devido à fatalidade que se verificou com o Tsunami, para muitas famílias estes dias são de dolência. Mesmo a mim, que abençoadamente não tinha família nesses lugares, chegam as lágrimas aos olhos ao ver certas imagens e ouvir certos relatos. Mas, mesmo com dor e tristeza é preciso seguir para a frente e ter sempre a esperança que melhores dias virão.

quarta-feira, dezembro 29, 2004


Hans Baldung Grien (Schwäbisch Gmünd c. 1485-1545 Strasbourg)
The Three Ages of Man 1509/10

Posted by Hello

Carpe Diem

"O mistress mine, where are you roaming?
O stay and hear! your true-love's coming
That can sing both high and low;
Trip no further, pretty sweeting,
Journey's end in lovers' meeting--
Every wise man's son doth know.

What is love? 'tis not hereafter;
Present mirth hath present laughter;
What's to come is still unsure:
In delay there lies no plenty,--
Then come kiss me, Sweet and twenty,
Youth's a stuff will not endure. "

De: William Shakespeare

segunda-feira, dezembro 27, 2004

"Entre áspide e flor
entre ser e não sermos

Presentes e passadas
penas
prenunciam

vosso abismo
vossas paixões
vossas estranhas finezas
Entre universo
e brinquedo
assistis
à nossa derrota
como quem espera
fera"
De: Ana Hatherly (1929)
Rilkeana

domingo, dezembro 26, 2004

O 13 e a Billie!

O 13 e a Billie são dois amigos que me deram duas surpresas este Natal e a quem quero agradecer.

13, obrigado não estava nada à espera, deste-me um bocadinho de cultura, que muito apreciei. Mais um grãozinho de areia para juntar ao meu pequeno deserto.

Billie, I really loved the cd but most of all I loved little Vasco's picture. Your son is lovely. This post you'll not need to ask your husband to translate. Thank you.

sexta-feira, dezembro 24, 2004

H.D. (Hilda Doolittle) - EURÍDICE

"I

Lançaste-me então para trás,
eu que poderia ter caminhado com as almas vivas
sobre a terra,
eu que poderia ter dormido entre flores vivas
por fim;

então pela tua arrogância
pela tua truculência
fui lançada para trás
para onde o líquen morto escorre
escórias mortas sobre musgo de cinza;

então pela tua arrogância
estou por fim despedaçada,
eu que vivi inconsciente,
que fui quase esquecida;

se me tivesses deixado esperar
teria crescido da indiferença
para a paz,
se me tivesses deixado repousar com os mortos,
ter-me-ia esquecido de ti
e do passado."

Fim do Tormento, H.D., seguido de O Livro de Hilda
(tradução de Filipe Jarro)

Que poderia dizer, simplesmente lindo...

(*05/07/2007 - Correcção feita ao nome do autor do poema, não é da autoria de Ezra Pound como referi anteriormente mas sim de HD. Agradecimentos a Filipe Jarro que detectou o meu erro e possibilitou a sua correcção.)

quarta-feira, dezembro 22, 2004

"Quem é belo é belo aos olhos - e basta.
Mas quem é bom é subitamente belo."

Sappho de Lesbos

segunda-feira, dezembro 20, 2004

Finalmente (2)

Finalmente posso fazer os meus posts novamente. E não posso deixar de agradecer a todos aqueles que aqui deixam os seus comentários. Obrigado, um beijo para todos e um Feliz Natal com tudo de bom.

sexta-feira, dezembro 03, 2004

Máscaras

Por vezes, nem quero acreditar naquilo que vejo e ouço.
As máscaras que muitas pessoas vestem para demonstrar serem uma coisa que não são. O pior surge quando uma dessas máscaras é alguém que julgávamos amigo, e quando a máscara cai, ao mesmo tempo tudo aquilo em que acreditávamos se desmorona. E no meu caso penso, como pude cair na mesma asneira outra vez, oferecer a minha amizade a alguém que não merece. Será que nos nossos dias já não se pode confiar nas pessoas? Então e o valor das amizades? Estas já não valem nada?
A resposta já não sei, mas uma coisa é certa, verdadeiros amigos são cada vez mais difíceis de encontrar.
A amizade não é só receber mas também dar.
Não é fingir-se amigo e depois passar por cima dos outros para atingir os objectivos.
Não é dar só com o intuito de receber ou ganhar algo com isso.
A amizade é, simplesmente sem máscaras, ser aquilo que somos e aceites como tal, dar o nosso melhor nos momentos melhores e nos piores, sem mentiras, procurar não magoar, o respeito.
A amizade é tanta coisa e tudo de bom, tenho pena que muitas das pessoas não a saibam aproveitar quando a têm e acima de tudo retribuí-la.

quarta-feira, dezembro 01, 2004

Telemóveis

Estou ouriçada, os telemóveis dão jeito mas são para estar ligados. Não entendo porque a maioria dos meus amigos têm os respectivos telemóveis para estarem sempre desligados. Quando é preciso, nada.

Palavras (3)

"Um adeus é necessário antes de poderem encontrar-se de novo."
Richard Bach
Illusions