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terça-feira, maio 22, 2007

N ARIANES I* - Nova rubrica no Arcadia

Nas minhas voltas pela blogosfera e inserida nas minhas passagens habituais por blogs da minha preferência deparei-me com uma nova rubrica no Arcadia, a N ARIANES I* sobre cinema.

Um post muito bom sobre o filme “The Island” (A Ilha), o seu autor NCR consegue transmitir a sua, não direi critica mas de certa forma, opinião muito pessoal e pensamentos acerca da mensagem passada pelo filme. Não sou muito de fazer comentários longos em outros blogs mas desta vez não me contive e comentei um pouco mais.

Assim como o fiz no meu comentário aqui também o vou dizer, o post fez-me pensar e rever os termos da sociedade em que vivemos, até colocar a hipótese se não será para esse tipo de sociedade que estamos a caminhar? O sentido de acomodação? O sentido enganoso de acreditar na felicidade dentro de uma sociedade perfeita? Uma vã esperança? A luz no fundo no túnel?

Um dos meus livros preferidos sempre foi o “Brave New World” (Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley, e sobre o qual também tive o prazer de ver o filme, que me foi facultado por um meu ex-professor da Universidade de Maryland.
Também “Brave New World”, embora idealizado há cerca de 76 anos, nos dá a mesma ideia utópica de uma sociedade perfeita, onde a vontade livre fora abolida por meio de um condicionamento metódico, a servidão tornou-se aceitável mediante doses regulares de felicidade quimicamente transmitidas, e onde as ortodoxias e ideologias eram “propagandeadas” em cursos nocturnos ministrados durante o sono, tudo isto para no final se encontrar a liberdade e um vislumbre do que poderia ser a felicidade fora dessa mesma exemplar e perfeita sociedade.

As duas ficções embora diferentes, transmitem a mesma mensagem, e suscitam certas dúvidas, como o diz muito bem Maria C. C. Tenório:

“Haverá um limite para o desenvolvimento humano? Se há qual será ele? Quem vai impor esses limites? O que é cientificamente possível é eticamente viável? Para onde caminha a humanidade? Se a destruição é inevitável o que podemos esperar? Se ela pode ser evitada como isso será possível? Até que ponto o homem é senhor de si mesmo?"

Espero que NCR continue com a sua rubrica.

domingo, abril 29, 2007

Enrique Rojas - "O Homem Light"

Numa das minhas frequentes visitas à livraria o meu amigo Júlio disse-me:
“- Leva este livro, tenho a certeza de que vais gostar.”
E foi assim que me enredei mais uma vez na leitura e travei conhecimento com o mundo de Enrique Rojas no seu livro intitulado “O Homem Light”.


Excerto:
"Viu tantas mudanças, tão rápidas e em tempo tão curto, que começa a não saber a que se agarrar ou, o que dá no mesmo, a fazer afirmações do tipo 'vale tudo', 'não me interessa' ou 'as coisas mudaram'. E assim encontramos um bom profissional em seu campo específico de trabalho, que conhece bem a tarefa que tem nas mãos, mas que fora desse contexto fica à deriva, sem idéias claras, preso - como está - num mundo cheio de informação, que o distrai, mas que pouco a pouco o converte num homem superficial, indiferente, permissivo, que vive um enorme vazio moral."


Neste livro é feita uma descrição muito realista do Homem actual; é-nos apresentado um Homem sem substância, sem conteúdo e de um puro individualismo, que materialmente tem quase tudo mas que vive num vazio moral, entregue ao dinheiro, poder, êxito e ao prazer ilimitado e sem restrições.
Para este Homem tudo é transitório, passageiro, tudo se torna “light”, centra-se em aproveitar bem os momentos e interessa-se por tudo sem se comprometer com nada. A sua ideologia é o pragmatismo e a sua moral reserva-a só para a sua intimidade, tudo é descartável, incluindo as pessoas. Mas este Homem não é feliz, tem bem-estar, tem prazeres mas é esvaziado de autêntica alegria.
Será assim mesmo como Enrique Rojas nos diz? Será que está instaurado um reinado de fragilidade, de superficialidade e de trivialidade nesta sociedade em que vivemos?

sexta-feira, abril 07, 2006

Diálogo das Compensadas


Este livro de João Aguiar retrata uma história simples e actual, numa narrativa alternada com o diálogo, um romance do futuro com reminiscências de passado. Trata de uma ordem religiosa - Ordem de Santa Leucádia - que vende placas acelaradoras para computadores. Uma mistura agradável de fragmentos de um livro e narração expressa numa linguagem do português ressuscitado, tal como nos é esclarecido na sua leitura.
A cada passo é feita uma crítica a toda a sociedade, onde os maiores valores são apenas os valores materiais, como o dinheiro, bom emprego, bom carro, boa vida, grandes festas, entre outros materialismos, deixando de lado todos os outros valores como o amor, a partilha e o bom senso. Esta crítica insere uma procura construtiva da preservação da língua portuguesa.
Todo este romance gira em redor de Cláudio "um jovem da geração reality-show e uma abadessa não isenta de segredos", em que todos os valores e aquilo em que o jovem rapaz do séc. XXI acreditava são destruídos ao longo das suas conversas com a religiosa e tudo é posto em causa...

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Amor Iuris

“Olhai a negra treva do seu crime
Alvorar, ser a luz, ser a inocência!
Não a antiga inocência de alma verdadeira,
A perfeita inocência, resultante
Da compreensão de tudo – que é o Amor!.”

De Teixeira de Pascoaes em Regresso ao Paraíso (excerto transcrito do livro Amor Iuris)

Mais um livro que eu quase desesperadamente procurava. Finalmente já o consegui adquirir. Os meus agradecimentos ao Pedro Lourenço do Arcádia, que nas suas aventuras pelos “bosques encantados” dos livros :D o conseguiu descobrir, e segundo me parece no meio das raridades.

segunda-feira, dezembro 12, 2005

quinta-feira, maio 19, 2005

Luís Ene - Mil e uma pequenas histórias

Numa das minhas visitas à livraria (do costume) para saber as novidades, deparei com o livro "Mil e uma pequenas histórias" do Luís Ene.
Por curiosidade decidi adquiri-lo, gostava da capa e da encadernação, já era um bom sinal, mas como caberiam tantas histórias num livro tão pequeno?
Para ser sincera, assim que abri e folheei o livro foi uma desilusão. Tanta coisa para umas simples linhas escritas no final de cada página. Mas lá me decidi a começar a ler. E foi então que tive a maior das surpresas, a cada conto que lia, conseguia ficcionar personagens, locais, e perguntava-me como era isto possivel em três ou quatro linhas. Resumindo, li o livro todo de seguida e adorei. Histórias de todo o tipo, que conseguem concentrar uma imaginação sem fim. Valeu a pena.
Uma boa proposta que pode ser adquirida aqui, para uns bons e agradáveis momentos de leitura.

terça-feira, janeiro 25, 2005


O Pêndulo de Foucault Posted by Hello

Destaque: O Pêndulo de Foucault - Umberto Eco

Este livro de Umberto Eco surgiu no seguimento editorial do “O Nome da Rosa”. Tive o prazer de adquirir o "O Pêndulo de Foucault" em 1991, após a leitura do livro que referi, mas essa vez foi diferente das outras, comecei a lê-lo por quatro vezes e só na quinta é que o finalizei, coisa que nunca me tinha sucedido antes. Agora vi-o em destaque numa das livrarias que frequento e na minha singela opinião é uma mais valia para a literatura.
Há quem diga que "O Pêndulo de Foucault" é um livro monótono e entediante, eu considero que não. É um livro especial e que requer particular interesse.
A meu ver supera, em muito, o "O Nome da Rosa". Num sentido de encontrar uma congruência racional da universalidade e denunciar os irracionalismos coetâneos, Umberto Eco intenta uma intencional mistificação da história secreta dos Templários, em todo um enredo que gira em torno do esoterismo e das sociedades secretas.
Esta obra contém algo de eterno, um mesclado de literatura com o estudo do comportamento humano, com passagens por Itália, Portugal, França - um começo que retorna si mesmo em Paris e que no titânico Pêndulo de Léon Foucault e no seu perpétuo movimento percorre a melancolia do saber absoluto.

E tudo começa assim:

"Foi então que vi o Pêndulo.
A esfera, móvel na extremidade de um longo fio fixado na abóbada do coro, descrevi as suas amplas oscilações com isócrona majestade…"